Use um casaco velho, mas compre um livro novo (Austin Phelps)

domingo, 26 de julho de 2020

Versos em Gotas

Ontem comemoramos o Dia Nacional do Escritor! O que seriam dos leitores sem os escritores?! Segue uma poesia minha em homenagem a eles!! Espero que gostem! Bjs! 


Versos em Gotas

É preciso um quê de tristeza para compor.
Em verdade, uma melancolia genuína.
Em que mesmo quando se está feliz, se está triste.
Em que mesmo em meio ao ruído, se é silente.
Uma sensação de consternação.
Uma permanente vigília.
Algo que se não for colocado pra fora
pinica, machuca, fere.
Uma externação que me deixa menos incompleta.




sábado, 18 de julho de 2020

Da Janela da Minha Casa Eu Vejo

Olá pessoal! Hoje segue uma poesia da minha amiga Carmen! Este gerânio da foto é da sua casa! Parabéns e continue inspirada, querida! Bjs!


terça-feira, 23 de junho de 2020

Tentei Mudar o Mundo

Oi pessoal! Tudo bem?! Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem! Bjs!


Tentei Mudar o Mundo

Tentei mudar o mundo,
mas não consegui.
Eram muitos os problemas,
de várias línguas diferentes.
Então tentei mudar meu país.
Também não obtive êxito.
Os problemas eram do tamanho do meu país.
Climas diferentes, tudo muito confuso.
Resolvi tentar mudar somente meu estado,
mas ledo engano.
Cada cidade tinha mais problemas que a outra.
Cada canto funcionava de um jeito mais estranho que o outro.
Pensei então: agora sim vai dar certo,
vou tentar mudar minha cidade!
Já conheço seus problemas de norte a sul;
vou conseguir.
Porém não fui muito longe.
Cada qual reivindicava uma coisa.
As pessoas queriam uma coisa e faziam outra!
Caótico era apelido.
Decidi uma última tentativa:
tentar mudar minha família.
Tomei nota do que havia de errado
e falei com cada um.
Sabe a qual resultado cheguei?
Nenhum.
Ninguém mudou uma vírgula
do que vinha fazendo e falando de errado.
Ah... assim sendo, tentarei me mudar.



domingo, 14 de junho de 2020

Velho Tema II

Velho Tema II

Eu cantarei de amor tão fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.

Quero que meu amor se te apresente
- Não andrajoso e mendigando agrados,
Mas tal como é: risonho e sem cuidados,
Muito de altivo, um tanto de insolente.

Nem ele mais a desejar se atreve
Do que merece: eu te amo, e o meu desejo
Apenas cobra um bem que se me deve.

Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;
E vou de olhos enxutos e alma leve
À galharda conquista do teu beijo.


(Vicente de Carvalho; 1866-1924)

sábado, 30 de maio de 2020

Ela e (ra) a Música

Oi pessoal! Tudo bem?! Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem! Bjs!


Ela e (ra) a Música

Ela não andava e sim flutuava
a um som pelos outros inaudível.
Música era a resposta e,
ao mesmo tempo, a pergunta.
Era sua alegria a mais
(ou tristeza a menos).
Fechava os olhos para melhor ver as notas musicais.
Deixava-se guiar por elas, dançava com elas.
Andava sempre em um ritmo desacelerado.
Ainda há pouco a chamei pelo nome:
Meneou a cabeça, depois virou o corpo
e, antes de tudo, veio o sorriso.




sexta-feira, 8 de maio de 2020

Feliz Dia das Mães

Oi pessoal! Hoje segue uma poesia de Carlos Drummond de Andrade em homenagem às mães!! Bjs!


Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Calma, não!

Querida pessoa, tudo bem?! Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem. Bjs!


Calma, não!

Sei que indo está,
mas tudo é tão moroso...
Não quero beliscar, quero engolir.
Tampouco sorver,
quero virar de um gole só.
Não quero um cumprimento à distância,
quero um abraço efusivo.
Quero tudo e quero agora!
Ah... reviro-me, impaciente.
Viro fera.
Vocifera minh’alma.
Não sabia que podia verter tantas lágrimas.
Vigio-me, com medo de uma poça ficar embaixo de mim.





sexta-feira, 10 de abril de 2020

Feliz Páscoa

Olá pessoal! Para hoje segue uma poesia de Braulio Bessa gravada de sua casa! Feliz Páscoa!! Bjs!




domingo, 29 de março de 2020

E as Pessoas Ficaram em Casa

Olá leitor! Hoje segue uma poesia que ficou bem famosa nas últimas semanas, escrita recentemente por Kitty O'Meara e que rapidamente viralizou na Internet. Vamos a ela?!


E as pessoas ficaram em casa
E leram livros e ouviram
E descansaram e se exercitaram
E fizeram arte e brincaram
E aprenderam novas maneiras de ser
E pararam
E ouviram fundo
Algumas meditaram
Algumas oraram
Algumas dançaram
Algumas conheceram sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente
E as pessoas se curaram
E na ausência de pessoas que viviam de maneiras ignorantes,
Perigosas, sem sentido e sem coração,
A Terra começou a se curar
E quando o perigo passou
E as pessoas se encontraram
Elas choraram suas perdas
E fizeram novas escolhas
E sonharam novas imagens
E criaram novas formas de viver
E curaram a Terra completamente
Como haviam sido curadas




https://www.youtube.com/watch?v=oi1INrtc0pQ&feature=youtu.be

domingo, 8 de março de 2020

Nuvens

Olá pessoal! Tudo bem? Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem!! Bjs sabor algodão doce!



Nuvens

É só fechar os olhos
e às nuvens chego.
Chamam-me desligada, sonhadora, ingênua.
Todas alcunhas da mesma arte.
Perco-me em tantas palavras
e poderia ficar assim por muito,
mas tudo me chama para das nuvens sair.
Até esse calor que me oprime.
Principalmente esse calor que me oprime.
Inacreditável como insistem
em aterrar os sonhos de alguém,
sejam palpáveis ou fugidios.
Logo eles, que sustentam a realidade.




domingo, 23 de fevereiro de 2020

As Sem Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Desejos Vãos

Olá pessoal! Hoje segue um lindo soneto da poeta portuguesa Florbela Espanca e um fado baseado nele!! Poesia e música se complementam, não acham?! Bjs!


Desejos Vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!


https://www.youtube.com/watch?v=FJQSh8oavis

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

24 Horas não Bastam II

Olá pessoal! Hoje segue uma continuação da poesia de semana passada. Espero que gostem!! Bjs!



24 Horas não Bastam II

Dia e noite sem parar.
Dia e noite a se encontrar.
E aqui estou outra vez.
E as horas do dia novamente não me bastam
(alguma vez me bastaram?).
Quando o dia se inicia,
vejo as horas à minha frente,
todas enfileiradas a me observar.
E, aos poucos, vão embora,
sem de mim se despedirem.
Não! Não se vão já...
Asseguro-lhes que o final da tarde será aprazível
e a noite igualmente boa.
Detenham-se um pouco mais...

domingo, 12 de janeiro de 2020

24 Horas não Bastam


24 Horas não Bastam

As tarefas do dia excedem as horas
disponíveis para recebê-las.
Agora, por exemplo,
a noite está quase cedendo lugar à madrugada
e ainda havia tanto para ver.
Verei meu travesseiro dentro em breve e
ao amanhã juntarei as tarefas de hoje.
Espero que o amanhã dê conta do que lhe espera.
Se não, ao depois de amanhã
juntarei as tarefas de hoje e de amanhã.
Já sinto uma pena pelo depois de amanhã...


(Patricia Muzzi)





domingo, 29 de dezembro de 2019

Feliz Ano Novo

Olá pessoal! Escolhi para hoje uma bela poesia de Rudyard Kipling! Quem não ler, vai perder um clássico, hein?! Feliz Ano Novo!! Bjs!

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

(tradução de Guilherme de Almeida)








If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings --nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And --which is more-- you'll be a Man, my son!

domingo, 22 de dezembro de 2019

A Noite de Natal

Desejo a você, leitor, um abençoado e feliz Natal!! Que a alegria e esperança desta data permaneçam com você no ano que se aproxima! Bjus sabor rabanada!


A Noite de Natal 

Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos.
Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus lhes não deu nada.
– Deu-lhes sim, muitos bonitos.
– Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.
(Mário de Sá-Carneiro)


domingo, 8 de dezembro de 2019

Hoje

Olá pessoal! Hoje segue uma poesia minha curtinha! Espero que gostem!! Bjs!



Hoje

O sol madrugou e atreveu-se a brilhar mais.
As nuvens recolheram-se.
O céu recebeu uma nova camada de tinta.
Tal matiz encheu o pulmão dos pássaros
até cantarem mais intensamente.




terça-feira, 26 de novembro de 2019

Não Sei Quantas Almas Tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa, in Novas Poesias Inéditas)




https://www.youtube.com/watch?v=behpJofcAjw

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A Última Súplica

Oi leitor! Tudo bem?! Hoje segue um soneto de minha autoria! Espero que gostem!! Bjs!



A Última Súplica

Peito arfante.
Voz embargada.
Pensamento distante.
Vista enturvada.

Cada dia a aumentar
o abismo abaixo de mim.
A me impedir de despencar
uma corda a que me agarro enfim.

O tempo a está roendo.
A borda a se distanciar.
Venha me resgatar!

Do meu lado não querem partir
a tristeza e o desamor.
Vão embora, por favor!




quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Metrópole

Olá pessoal! Hoje segue uma poesia do Mario Roberto Guimarães, que conheci através do Recanto das Letras. Bjus!


Metrópole

É manhã – o sol já vai alto.
Pelas ruas caminham apressadas
Pessoas em profusão.
Não parecem individualizadas,
São como partes de um todo,
Um espetáculo que se repete
A cada dia.

Na vida agitada da cidade grande,
Tudo se passa como se não houvesse
O indivíduo.
Como se fora um grupo organizado,
Desloca-se uma multidão,
Entre gigantes de concreto armado,
Todas as manhãs.

Na faina do dia a dia,
Mal se apercebem de que, à sua volta,
Segue a vida.
Não podem parar, olhar, conhecer,
Precisam todos seguir, quase a correr,
O curso normal, acelerado,
Da sua lida.