Use um casaco velho, mas compre um livro novo (Austin Phelps)

sábado, 10 de outubro de 2020

Duas Dúzias de Coisinhas à Toa que Deixam a Gente Feliz

 Olá você! Já que se avizinha o dia das crianças, segue uma poesia infanto-juvenil de Otávio Roth. Vamos ler?! Bjs!


Duas Dúzias de Coisinhas à Toa que Deixam a Gente Feliz 

Passarinho na janela,
pijama de flanela,
brigadeiro na panela.

Gato andando no telhado,
cheirinho de mato molhado,
disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã,
drops de hortelã,
grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso,
jogar pedrinha no poço,
um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa,
pisar em tapete persa,
eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão,
dias quentes de verão,
descer pelo corrimão.

Almoço de domingo,
revoada de flamingo,
herói que fuma cachimbo.

Anãozinho de jardim,
lacinho de cetim,
terminar o livro assim.



sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Nada Duas Vezes

Oi pessoal! Hoje segue uma poesia de Wisława Szymborska e, de brinde, um vídeo com ela! Aproveitem!


Nada Duas Vezes

Nada acontece duas vezes
nem acontecerá. Eis nossa sina.
Nascemos sem prática
e morremos sem rotina.

Mesmo sendo os piores alunos
na escola deste mundão,
nunca vamos repetir
nenhum inverno nem verão.

Nem um dia se repete,
não há duas noites iguais,
dois beijos não são idênticos,
nem dois olhares tais quais.

Ontem quando alguém falou
o teu nome junto a mim
foi como se pela janela aberta
caísse uma rosa do jardim.

Hoje que estamos juntos,
o nosso caso não medra.
Rosa? Como é uma rosa?
É uma flor ou é uma pedra?

Por que você tem, má hora,
que trazer consigo a incerteza?
Você vem – mas vai passar.
Você passa – eis a beleza.

Sorridentes, abraçados
tentaremos viver sem mágoa,
mesmo sendo diferentes
como duas gotas d’água.

Trad.: Regina Przybycien


domingo, 13 de setembro de 2020

Prima Vera

Oii! Hoje segue um soneto meu!! Espero que gostem! Bjus!


Prima Vera


Prima Vera está a chegar.

Conosco três meses vai ficar.

Ninguém aqui duvida

que virá com roupa bem colorida.

 

Ela gosta de uma prosa.

Linda, cheirosa e vaidosa.

Sempre conquista admiradores

e adora flores.

 

Seu humor varia bastante.

Tem dias que está radiante

e outros bem fria.

 

Mas nesse vaivém,

não há quem não a queira bem.

Vem, Prima Vera, vem!





segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Canção para Poder Viver

Olá pessoal! Hoje segue uma bela poesia de Cassiano Ricardo, que foi jornalista, poeta e ensaísta! Bjs!


Canção para poder viver

Dou-lhe tudo do que como,
e ela me exige o último gomo.

Dou-lhe a roupa com que me visto
e ela me interroga: só isto?

Se ela se fere num espinho,
O meu sangue é que é o seu vinho.

Se ela tem sede eu é que choro,
no deserto, para lhe dar água:

E ela mata a sua sede,
já no copo de minha mágoa

Dou-lhe o meu canto louco; faço
um pouco mais do que ser louco.

E ela me exige bis, "ao palco"!

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Versos em Gotas II

Versos em Gotas II

De chofre as palavras começam a surgIr
e vêm nas horas mais iNcertas.
OraS!
Para laPidar,
para ilumInar,
dicionáRio à mão.
Cada uma exige tAnto... 
Não querem nada além da perfeiÇão.
ExaustÃo.
E ainda exigem O se despir em frente ao leitor.

(Patricia Muzzi)



domingo, 26 de julho de 2020

Versos em Gotas

Ontem comemoramos o Dia Nacional do Escritor! O que seriam dos leitores sem os escritores?! Segue uma poesia minha em homenagem a eles!! Espero que gostem! Bjs! 


Versos em Gotas

É preciso um quê de tristeza para compor.
Em verdade, uma melancolia genuína.
Em que mesmo quando se está feliz, se está triste.
Em que mesmo em meio ao ruído, se é silente.
Uma sensação de consternação.
Uma permanente vigília.
Algo que se não for colocado pra fora
pinica, machuca, fere.
Uma externação que me deixa menos incompleta.




sábado, 18 de julho de 2020

Da Janela da Minha Casa Eu Vejo

Olá pessoal! Hoje segue uma poesia da minha amiga Carmen! Este gerânio da foto é da sua casa! Parabéns e continue inspirada, querida! Bjs!


terça-feira, 23 de junho de 2020

Tentei Mudar o Mundo

Oi pessoal! Tudo bem?! Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem! Bjs!


Tentei Mudar o Mundo

Tentei mudar o mundo,
mas não consegui.
Eram muitos os problemas,
de várias línguas diferentes.
Então tentei mudar meu país.
Também não obtive êxito.
Os problemas eram do tamanho do meu país.
Climas diferentes, tudo muito confuso.
Resolvi tentar mudar somente meu estado,
mas ledo engano.
Cada cidade tinha mais problemas que a outra.
Cada canto funcionava de um jeito mais estranho que o outro.
Pensei então: agora sim vai dar certo,
vou tentar mudar minha cidade!
Já conheço seus problemas de norte a sul;
vou conseguir.
Porém não fui muito longe.
Cada qual reivindicava uma coisa.
As pessoas queriam uma coisa e faziam outra!
Caótico era apelido.
Decidi uma última tentativa:
tentar mudar minha família.
Tomei nota do que havia de errado
e falei com cada um.
Sabe a qual resultado cheguei?
Nenhum.
Ninguém mudou uma vírgula
do que vinha fazendo e falando de errado.
Ah... assim sendo, tentarei me mudar.



domingo, 14 de junho de 2020

Velho Tema II

Velho Tema II

Eu cantarei de amor tão fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.

Quero que meu amor se te apresente
- Não andrajoso e mendigando agrados,
Mas tal como é: risonho e sem cuidados,
Muito de altivo, um tanto de insolente.

Nem ele mais a desejar se atreve
Do que merece: eu te amo, e o meu desejo
Apenas cobra um bem que se me deve.

Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;
E vou de olhos enxutos e alma leve
À galharda conquista do teu beijo.


(Vicente de Carvalho; 1866-1924)

sábado, 30 de maio de 2020

Ela e (ra) a Música

Oi pessoal! Tudo bem?! Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem! Bjs!


Ela e (ra) a Música

Ela não andava e sim flutuava
a um som pelos outros inaudível.
Música era a resposta e,
ao mesmo tempo, a pergunta.
Era sua alegria a mais
(ou tristeza a menos).
Fechava os olhos para melhor ver as notas musicais.
Deixava-se guiar por elas, dançava com elas.
Andava sempre em um ritmo desacelerado.
Ainda há pouco a chamei pelo nome:
Meneou a cabeça, depois virou o corpo
e, antes de tudo, veio o sorriso.




sexta-feira, 8 de maio de 2020

Feliz Dia das Mães

Oi pessoal! Hoje segue uma poesia de Carlos Drummond de Andrade em homenagem às mães!! Bjs!


Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Calma, não!

Querida pessoa, tudo bem?! Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem. Bjs!


Calma, não!

Sei que indo está,
mas tudo é tão moroso...
Não quero beliscar, quero engolir.
Tampouco sorver,
quero virar de um gole só.
Não quero um cumprimento à distância,
quero um abraço efusivo.
Quero tudo e quero agora!
Ah... reviro-me, impaciente.
Viro fera.
Vocifera minh’alma.
Não sabia que podia verter tantas lágrimas.
Vigio-me, com medo de uma poça ficar embaixo de mim.





sexta-feira, 10 de abril de 2020

Feliz Páscoa

Olá pessoal! Para hoje segue uma poesia de Braulio Bessa gravada de sua casa! Feliz Páscoa!! Bjs!




domingo, 29 de março de 2020

E as Pessoas Ficaram em Casa

Olá leitor! Hoje segue uma poesia que ficou bem famosa nas últimas semanas, escrita recentemente por Kitty O'Meara e que rapidamente viralizou na Internet. Vamos a ela?!


E as pessoas ficaram em casa
E leram livros e ouviram
E descansaram e se exercitaram
E fizeram arte e brincaram
E aprenderam novas maneiras de ser
E pararam
E ouviram fundo
Algumas meditaram
Algumas oraram
Algumas dançaram
Algumas conheceram sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente
E as pessoas se curaram
E na ausência de pessoas que viviam de maneiras ignorantes,
Perigosas, sem sentido e sem coração,
A Terra começou a se curar
E quando o perigo passou
E as pessoas se encontraram
Elas choraram suas perdas
E fizeram novas escolhas
E sonharam novas imagens
E criaram novas formas de viver
E curaram a Terra completamente
Como haviam sido curadas




https://www.youtube.com/watch?v=oi1INrtc0pQ&feature=youtu.be

domingo, 8 de março de 2020

Nuvens

Olá pessoal! Tudo bem? Hoje segue uma poesia minha! Espero que gostem!! Bjs sabor algodão doce!



Nuvens

É só fechar os olhos
e às nuvens chego.
Chamam-me desligada, sonhadora, ingênua.
Todas alcunhas da mesma arte.
Perco-me em tantas palavras
e poderia ficar assim por muito,
mas tudo me chama para das nuvens sair.
Até esse calor que me oprime.
Principalmente esse calor que me oprime.
Inacreditável como insistem
em aterrar os sonhos de alguém,
sejam palpáveis ou fugidios.
Logo eles, que sustentam a realidade.




domingo, 23 de fevereiro de 2020

As Sem Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Desejos Vãos

Olá pessoal! Hoje segue um lindo soneto da poeta portuguesa Florbela Espanca e um fado baseado nele!! Poesia e música se complementam, não acham?! Bjs!


Desejos Vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!


https://www.youtube.com/watch?v=FJQSh8oavis

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

24 Horas não Bastam II

Olá pessoal! Hoje segue uma continuação da poesia de semana passada. Espero que gostem!! Bjs!



24 Horas não Bastam II

Dia e noite sem parar.
Dia e noite a se encontrar.
E aqui estou outra vez.
E as horas do dia novamente não me bastam
(alguma vez me bastaram?).
Quando o dia se inicia,
vejo as horas à minha frente,
todas enfileiradas a me observar.
E, aos poucos, vão embora,
sem de mim se despedirem.
Não! Não se vão já...
Asseguro-lhes que o final da tarde será aprazível
e a noite igualmente boa.
Detenham-se um pouco mais...

domingo, 12 de janeiro de 2020

24 Horas não Bastam


24 Horas não Bastam

As tarefas do dia excedem as horas
disponíveis para recebê-las.
Agora, por exemplo,
a noite está quase cedendo lugar à madrugada
e ainda havia tanto para ver.
Verei meu travesseiro dentro em breve e
ao amanhã juntarei as tarefas de hoje.
Espero que o amanhã dê conta do que lhe espera.
Se não, ao depois de amanhã
juntarei as tarefas de hoje e de amanhã.
Já sinto uma pena pelo depois de amanhã...


(Patricia Muzzi)





domingo, 29 de dezembro de 2019

Feliz Ano Novo

Olá pessoal! Escolhi para hoje uma bela poesia de Rudyard Kipling! Quem não ler, vai perder um clássico, hein?! Feliz Ano Novo!! Bjs!

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

(tradução de Guilherme de Almeida)








If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings --nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And --which is more-- you'll be a Man, my son!